quinta-feira, 7 de fevereiro de 2008

O bolo que incha, sola, mas nunca é repartido.

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Numa perspectiva temporal não muito distante, numa certa ditadura militar, num certo país da América Latina...

Colocava-se que “o bolo deve primeiro crescer para depois ser repartido”.

Entretanto, observo que há uma semelhança entre tal idéia colocada pelos milicos brasileiros e a esquerda brasileira:

De um lado, o “bolo econômico” deve crescer, crescer, inchar, inchar, mas nunca se compartilhar...

De outro lado, a esquerda não incorpora os anseios populares de forma radical, apenas se utiliza dos mesmos quando é conveniente. Infelizmente isso ocorre desde os chamados “reformistas” até os “revolucionários”, que se afundam no ranço vanguardista, ou seja, que se coloca como don@s da verdade.

Porém, enquanto alas como o PT governista e sórdido adotam essa prática com objetivos também econômicos embora não ditatoriais da mesma maneira que os milicos, a maioria da “extrema-esquerda” também não reparte o bolo enquanto o prepara.

Só que o bolo da “extrema-esquerda” não é basicamente econômico, mas sim composto de uma ideologia dogmática que não abre espaço para construções plenamente coletivas, pois, algo só pode ser coletivo se estiver dentro de uma concepção teórica determinada.

Mas não seria isto negar a condição histórica determinada na qual vivemos? Que é diferente, embora com elementos de exploração comuns?

Me parece não haver mais espaço para reinvenções, reconstruções... O que torna a “luta” previsível e mais do que frágil...

Estamos perdendo então espaço para a mutabilidade capitalista e não estamos enxergando que:

É preciso ser mutante para lidar com os mecanismos de exploração mutáveis.

A opressão não se dá somente no campo material... É preciso que se enxergue que a opressão pode se dar inclusive “de oprimid@s para oprimid@s”. Daí, não é mais suficiente se identificar entre @s oprimid@s, mas também ver se @s mesm@s não legitimam de alguma forma a opressão.

Um comentário:

Anônimo disse...

Boa reflexão!! (Se todas fossem no mundo iguais à você!!) bjinhos e bjocas revolucionárias...