sábado, 30 de agosto de 2008

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"São as coisas não ditas que conduzem o mundo... "
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quinta-feira, 12 de junho de 2008

A obsessão futebolística e suas variações


Ao assistir a final da Copa do Brasil (Sport Recife X Corinthians) ontem, lembrava de uma fase adolescente na qual passei a ter certa repulsa por futebol, exatamente quando me empolgava por diversas questões que surgiam em minha mente após boas aulas de História. Discussões sobre sociedade, arte, sobre a função social das coisas. Via todas essas questões serem completamente boicotadas pela febre verde e amarela que toma o nosso país em período de Copa do Mundo.

Daí, passei a enxergar o interesse em futebol como “uma alienação de si”. É bem verdade que depois deixei um pouco de lado o sectarismo e me permiti ouvir tranquilamente conversas nas quais o tema era “qual é o melhor time?”. A partir de então, cheguei a uma conclusão de que o futebol pudesse até ser como a arte: um elemento que pode ser engajado ou não, mas que não cabe ser colocado sob julgamento de valores.

Enfim... tudo até a final da Copa do Brasil...

Onde toda a carapuça de que o Brasil é um país unido apesar da diversidade é um tanto quanto b-a-l-e-l-a.

Parecia que da Bahia para baixo, havia uma torcida comum para o Corinthians, para a qual não importava o que era mais bonito, mas sim que o Corinthians ganhasse. Eu sei! Parece exagero de nordestina roxa, mas, a sensação que batia era que tanto a TV Globo quanto a Bandeirantes representavam um imaginário mais ou menos comum no que diz respeito à concepção sudestina do que vem a ser esse “pedaço de terra” chamado Brasil. Daria para escrever um livro colocando o que se liga a essa necessidade de reafirmação diante de toda usurpação histórica sofrida pelo Nordeste.

Eu também sei! Era a Rede e Globo e não o povo sudestino e sulista! Era a Bandeirantes! Entretanto, foi bem ilustrativo como as transmissões pareciam ser o “tipo ideal” do complexo de superioridade sudestina. Ou seja, as emissoras eram a ilustração do exagero do que infelizmente parecem realmente existir na realidade: o complexo de vanguardismo motivado por um elemento político-geográfico.

Por rancor cultural ou por criticidade política, o jogo de ontem me fez perceber que uma obsessão por futebol pode não significar somente alienação, mas também a reafirmação de que um povo não pode continuar a ser renegado e desconsiderado na história de um país como vem sendo o povo nordestino.

Foi a hora de dizer para o resto do Brasil: Somos capazes, mesmo com todos os boicotes!!!

sábado, 24 de maio de 2008

A IRMÃ DE SHAKESPEARE - CLARICE!

Para não deixar o blog abandonado, um pequeno texto da grande Clarice publicado numa coluna do jornal Última Hora, em 30 de novembro de 1977...


A IRMÃ DE SHAKESPEARE

Por Clarice Lispector
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Uma escritora inglesa – Virginia Woolf – querendo provar que mulher nenhuma, na época de Shakeaspeare, poderia ter escrito as peças de Shakeaspeare, inventou para este último, uma irmã que se chamaria Judith. Judith teria o mesmo gênio que seu irmãozinho William, a mesma vocação. Na verdade, seria um outro Shakeaspeare, só que, por gentil fatalidade da natureza, usaria saias.
Antes, em poucas palavras, Virginia Woolf descreveu a vida do próprio Shakeaspeare: freqüentara escolas, estudara em latim Ovídio, Virgílio, Horácio, além de todos os outros princípios da cultura; em menino, caçara coelhos, perambulara pelas vizinhanças, espiara bem o que queria espiar, armazenando infância; como rapazinho, foi obrigado a casar um pouco apressado; essa ligeira leviandade, deu-lhe vontade de escapar – e ei-lo a caminho de Londres, em busca da sorte. Como tem sido bastante provado, ele tinha gosto por teatro. Começou por empregar-se como “olheiro” de cavalos, na porta de um teatro depois imiscuiu-se entre os stores, conseguiu ser um deles, freqüentou o mundo, aguçou suas palavras em contato com as ruas e o povo, teve acesso ao palácio da rainha, terminou sendo Shakeaspeare.
E Judith? Bem, Judith não seria mandada para a escola. E ninguém lê em latim sem ao menos saber as declinações. Às vezes, como tinha tanto desejo de aprender, pegava nos livros do irmão. Os pais intervinham: mandavam-na cerzir meias ou vigiar o assado. Não por maldade: adoravam-na e queriam que ela se tornasse uma verdadeira mulher. Chegou a época de casar. Ela não queria, sonhava com outro mundos. Apanhou do pai, viu as lágrimas da mãe. Em luta com tudo, mas com o mesmo ímpeto do irmão, arrumou uma trouxa e fugiu para Londres. Também Judith gostava de teatro. Parou na porta de um, disse que queria trabalhar com os artistas – foi uma risada geral, todos imaginaram logo outra coisa. Como poderia arranjar comida? Nem podia ficar andando pelas ruas. Alguém, um homem, teve pena dela. Em breve ela esperava um filho. Até que numa noite de inverno, ela se matou. “Quem”, diz Virginia Woolf, “poderá calcular o calor e a violência de um coração de poeta quando preso no corpo de uma mulher?”
E assim acaba a história que não existiu.

sexta-feira, 2 de maio de 2008

terça-feira, 29 de abril de 2008

Em defesa da Escola Pública

Informações retiradas do site : www.midiaindependente.org
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Para ver a matéria na íntegra, clique no título deste post!



"Carta em defesa da EE Prof. Fidelino de Figueredo feita por pais, professores e alunos em repúdio à matéria da Folha de São Paulon no dia 27/março/2008

Em defesa da EE Prof. Fidelino de Figueredo e da escola pública. Nós, alunos, professores e pais, da EE Prof. Fidelino Figueiredo ficamos indignados com a matéria, publicada, no dia 27 de março de 2008, no jornal Folha de São Paulo, assinada pelo jornalista Paulo Sampaio, que declarou ser morador de Higienópolis.
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Pelo seu conteúdo, o texto pode levar a uma interpretação preconceituosa e sem fundamentação sobre a escola pública. Preconceituosa, pois apresenta alunos da escola pública Fidelino Figueredo, como possíveis ladrões, estabelecendo uma diferença entre estes e aqueles das escolas particulares da região (Santa Cecília e Higeinópolis). Para sustentar os seus argumentos, o jornalista citado, utiliza o depoimento de pessoas, supostamentes alunos, menores de idade.
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Entendemos que o subtítulo da matéria "Escola rica x pobre", além de divisionista e preconceituosa, incita a violência entre os estudantes da região que se encontram na mesma comunidade. Neste sentido, o texto pode resultar numa irresponsabilidade!
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Não podemos, em nome de uma suposta liberdade de imprensa (liberdade que usada com responsabilidade é um avanço democrático) permitir que haja incitação à violência entre os jovens e divulgação de preconceitos sociais, étnicos ou qualquer outro tipo de divisão.
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Os problemas da sociedade não atingem, exclusivamente, os alunos escola pública, portanto, entendemos que temos que acabar com as origens desses problemas, uma vez que se encontram vinculadas às desigualdades sociais.
Em defesa da EE Fidelino de Figueiredo, repudiamos este tipo de reportagem. Portanto: Abaixo o divisionismo, o preconceito e a incitação à violência! Em defesa da escola pública de qualidade para todos!
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OS ALUNOS E ALUNAS DA ESCOLA FIDELINO SÃO NOSSOS(as) ALUNOS(as), FILHOS E FILHAS DE TRABALHADORES(as)! EXIGIMOS RESPEITO DE TODOS(as) E PARA TODOS(as), INDEPENDENTE DA CLASSE SOCIAL!! "
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Não é preciso ser um grande analista social para atentar para as questões que motivam este tipo de realidade. Além disso, a mídia elitista e desavergonhada costuma se utilizar das idéias do que seria o princípio de liberdade de expressão para propagandear um discurso irresponsável. Por que será que o direito à liberdade de expressão não vem junto com o direito à defesa para tod@s nesses casos? Argumentos ligados à idéia de uma sociedade ideal desconsideram questões existentes na real. Abaixo à manipulação midiática!!!

quinta-feira, 24 de abril de 2008

Dogville

Um dos melhores filmes que já vi até hoje.







Qual o valor moral?

As coisas são o que são?













Ou o que o sentido que atribuímos a elas possasignificar?


































terça-feira, 22 de abril de 2008

Fragmentos de "Alice no País das Maravilhas"



Fragmentos "soltos" e intensamente conectados:

De "Alice no País das Maravilhas", de Lewis Carroll.

"[...] O Tempo não suporta ser marcado como se fosse gado. Mas, se você vivesse com ele em boas pazes, ele faria qualquer coisa que você quisesse com o relógio. Por exemplo: vamos dizer que fossem nove horas da manhã, que é hora de estudar. Você teria apenas que insinuar alguma coisa no ouvido do Tempo, e o ponteiro correria num piscar de olhos: uma hora e meia, hora do almoço."


"Teria algum sentido você bater [...] se a porta estivesse entre nós. Por exemplo, se você estivesse lá dentro, poderia bater e eu deixar você sair, compreende?"

sexta-feira, 8 de fevereiro de 2008

♦ Religião e Religiosidade ♦ ♦ ♦ ♦♦ ♦ ♦ ♦ Clique aqui e assista "Magamalabares" ♦

"A Bíblia é um jornal que traduz a história de um povo. Então, na Bíblia você tem lendas, receitas, descrições arquitetônicas, cartas de amor, textos eróticos, poesia, canções, um jornal,enfim, com todas as seções que o jornal tem, e que traduz a revelação de Deus na história do seu povo."

(Frei Betto. In.: Essa escola chamada vida - depoimentos ao repórter Ricardo Kotscho)

Penso que o trecho acima destaca uma questão fundamental no que diz respeito à religiosidade: Um Deus cuida de um povo que tem uma história. Vários Deuses podem cuidar de vários povos e de diversas pessoas com suas histórias de vida e de crença.

quinta-feira, 7 de fevereiro de 2008

O bolo que incha, sola, mas nunca é repartido.

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Numa perspectiva temporal não muito distante, numa certa ditadura militar, num certo país da América Latina...

Colocava-se que “o bolo deve primeiro crescer para depois ser repartido”.

Entretanto, observo que há uma semelhança entre tal idéia colocada pelos milicos brasileiros e a esquerda brasileira:

De um lado, o “bolo econômico” deve crescer, crescer, inchar, inchar, mas nunca se compartilhar...

De outro lado, a esquerda não incorpora os anseios populares de forma radical, apenas se utiliza dos mesmos quando é conveniente. Infelizmente isso ocorre desde os chamados “reformistas” até os “revolucionários”, que se afundam no ranço vanguardista, ou seja, que se coloca como don@s da verdade.

Porém, enquanto alas como o PT governista e sórdido adotam essa prática com objetivos também econômicos embora não ditatoriais da mesma maneira que os milicos, a maioria da “extrema-esquerda” também não reparte o bolo enquanto o prepara.

Só que o bolo da “extrema-esquerda” não é basicamente econômico, mas sim composto de uma ideologia dogmática que não abre espaço para construções plenamente coletivas, pois, algo só pode ser coletivo se estiver dentro de uma concepção teórica determinada.

Mas não seria isto negar a condição histórica determinada na qual vivemos? Que é diferente, embora com elementos de exploração comuns?

Me parece não haver mais espaço para reinvenções, reconstruções... O que torna a “luta” previsível e mais do que frágil...

Estamos perdendo então espaço para a mutabilidade capitalista e não estamos enxergando que:

É preciso ser mutante para lidar com os mecanismos de exploração mutáveis.

A opressão não se dá somente no campo material... É preciso que se enxergue que a opressão pode se dar inclusive “de oprimid@s para oprimid@s”. Daí, não é mais suficiente se identificar entre @s oprimid@s, mas também ver se @s mesm@s não legitimam de alguma forma a opressão.