Ao assistir a final da Copa do Brasil (Sport Recife X Corinthians) ontem, lembrava de uma fase adolescente na qual passei a ter certa repulsa por futebol, exatamente quando me empolgava por diversas questões que surgiam em minha mente após boas aulas de História. Discussões sobre sociedade, arte, sobre a função social das coisas. Via todas essas questões serem completamente boicotadas pela febre verde e amarela que toma o nosso país em período de Copa do Mundo.
Daí, passei a enxergar o interesse em futebol como “uma alienação de si”. É bem verdade que depois deixei um pouco de lado o sectarismo e me permiti ouvir tranquilamente conversas nas quais o tema era “qual é o melhor time?”. A partir de então, cheguei a uma conclusão de que o futebol pudesse até ser como a arte: um elemento que pode ser engajado ou não, mas que não cabe ser colocado sob julgamento de valores.
Enfim... tudo até a final da Copa do Brasil...
Onde toda a carapuça de que o Brasil é um país unido apesar da diversidade é um tanto quanto b-a-l-e-l-a.
Parecia que da Bahia para baixo, havia uma torcida comum para o Corinthians, para a qual não importava o que era mais bonito, mas sim que o Corinthians ganhasse. Eu sei! Parece exagero de nordestina roxa, mas, a sensação que batia era que tanto a TV Globo quanto a Bandeirantes representavam um imaginário mais ou menos comum no que diz respeito à concepção sudestina do que vem a ser esse “pedaço de terra” chamado Brasil. Daria para escrever um livro colocando o que se liga a essa necessidade de reafirmação diante de toda usurpação histórica sofrida pelo Nordeste.
Eu também sei! Era a Rede e Globo e não o povo sudestino e sulista! Era a Bandeirantes! Entretanto, foi bem ilustrativo como as transmissões pareciam ser o “tipo ideal” do complexo de superioridade sudestina. Ou seja, as emissoras eram a ilustração do exagero do que infelizmente parecem realmente existir na realidade: o complexo de vanguardismo motivado por um elemento político-geográfico.
Por rancor cultural ou por criticidade política, o jogo de ontem me fez perceber que uma obsessão por futebol pode não significar somente alienação, mas também a reafirmação de que um povo não pode continuar a ser renegado e desconsiderado na história de um país como vem sendo o povo nordestino.
Foi a hora de dizer para o resto do Brasil: Somos capazes, mesmo com todos os boicotes!!!

2 comentários:
é isso mesmo... contra a opressão, nada de "Timão"... Sport é o Leão Campeão...
Sim, são meus os poemas! Obrigado elo "interessante". Só hoje vi seu comentário.Interessante mesmo é o seu. Muito mesmo.
Emerson Ferreira
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